sábado, 19 de dezembro de 2009

Finalmente.




Chegou o fim do ano. Eu tenho trabalhado muito, chegando em casa tarde e com grande carga de stress. Com isso, resolvi fazer o fechamento do blog para o ano de 2009.

Foi muito bom estar aqui este ano. Olhando meus posts passados, decidi tomar novo rumo no blog em 2010. Quero aprimorar, melhorar e tornar a visão do meu blog mais ampla.

Reservarei um tempo diário para a produção de algo e para postar, discutir e divulgar os assuntos.

A todos um Feliz Natal e um 2010 cheio de realizações e sucesso. Saude, paz e alegria!

Tenho certeza que ele será bem melhor que 2009.
E que venha 2010 com muitos pitacos por aqui.
Até lá!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Contos Franz Kafka Parte V

Resolvi finalizar hoje, para que na próximo vez que postar, já seja um comentário dos contos.


Uma mensagem imperial


O imperador – assim dizem – enviou a ti, súdito solitário e lastimável, sombra ínfima ante o sol imperial, refugiada na mais remota distância, justamente a ti o imperador enviou, do leito de morte, uma mensagem. Fez ajoelhar-se o mensageiro ao pé da cama e sussurrou-lhe a mensagem no ouvido; tão importante lhe parecia, que mandou repeti-la em seu próprio ouvido. Assentindo com a cabeça, confirmou a exatidão das palavras. E, diante da turba reunida para assistir à sua morte – haviam derrubado todas as paredes impeditivas, e na escadaria em curva ampla e elevada, dispostos em círculo,estavam os grandes do império –, diante de todos, despachou o mensageiro. De pronto, este se pôs em marcha, homem vigoroso, incansável. Estendendoora um braço, ora outro, abre passagem em meio à multidão; quando encontra o bstáculo, aponta no peito a insígnia do sol; avança facilmente, como ninguém. Mas a multidão é enorme; suas moradas não têm fim. Fosse livre o terreno, como voaria, breve ouvirias na porta o golpe magnífico de seu punho. Mas, ao contrário, esforça-se inutilmente; comprime-se nos aposentos do palácio central; jamais conseguirá atravessá-los; e se conseguisse, de nada valeria; precisaria empenhar-se em descer as escadas; e se as vencesse, de nada valeria; teria que percorrer os pátios; e depois dos pátios, o segundo palácio circundante; e novamente escadas e pátios; e mais outro palácio; e assim por milênios; e quando finalmente escapasse pelo último portão – mas isto nunca, nunca poderia acontecer – chegaria apenas à capital, o centro do mundo, onde se acumula a prodigiosa escória. Ninguém consegue passar por aí, muito menos com a mensagem de um morto. Mas, sentado à janela, tu a imaginas, enquanto a noite cai.

Conto Franz Kafka Parte IV


O Brasão da Cidade

No início tudo estava numa ordem razoável na construção da Torre de Babel; talvez a ordem fosse até excessiva, pensava-se demais em sinalizações, intérpretes, alojamentos de trabalhadores e vias de comunicação, como se àfrente houvesse séculos de livres possibilidades de trabalho. A opinião reinante na época chegava ao ponto de que não se podia trabalhar com lentidão suficiente, ela não precisava ser muito enfatizada para que se recuasse assustado ante o pensamento de assentar os alicerces. Argumentava-se da seguinte maneira: o essencial do empreendimento todo é a idéia de construir uma torre que alcance o céu. Ao lado dela tudo o mais é secundário. Uma vez apreendida na sua grandeza essa idéia não pode maisdesaparecer; enquanto existirem homens, existirá também o forte desejo deconstruir a torre até o fim. Mas nesse sentido não é preciso se preocupar como futuro; pelo contrário, o conhecimento da humanidade aumenta, a arquitetura fez e continuará fazendo mais progressos, um trabalho para o qual necessitamos de um ano será dentro de cem anos realizado, talvez em meio e além disso melhor, com mais consistência. Por que então esforçar-se ainda hoje até o limite das energias? Isso só teria sentido se fosse possível construira torre no espaço de uma geração. Mas não se pode de modo algum esperar por isso. Era preferível pensar que a geração seguinte, com o seu sabera perfeiçoado, achará mau o trabalho da geração precedente e arrasará o que foi construído, para começar de novo. Esses pensamentos tolhiam as energiase, mais do que com a construção da torre, as pessoas se preocupavam com aconstrução da cidade dos trabalhadores. Cada nacionalidade queria ter o alojamento mais bonito, resultaram daí disputas que evoluíram até lutas sangrentas. Essas lutas não cessaram mais, para os líderes elas foram um novo argumento no sentido de que, por falta da concentração necessária, a torre deveria ser construída muito devagar ou de preferência só depois do armistício geral. As pessoas porém não ocupavam o tempo apenas combatalhas, nos intervalos embelezava-se a cidade, o que entretanto provocava nova inveja e novas lutas. Assim passou o tempo da primeira geração, mas nenhuma das seguintes foi diferente, sem interrupção só se intensificava adestreza e com ela a belicosidade. A isso se acrescentou que já a segunda ou terceira geração reconheceu o sem-sentido da construção da torre do céu, mas já estavam todos muito ligados entre si para abandonarem a cidade. Tudo o que nela surgiu de lendas e canções está repleto de nostalgia pelo dia profetizado em que a cidade será destroçada por um punho gigantesco com cinco golpes em rápida sucessão. Por isso a cidade também tem um punho no seu brasão.

Conto Franz Kafka Part III

Dando continuidade aos contos. Hoje, postarei o terceiro conto chamado A partida.


A partida
Ordenei que tirassem meu cavalo da estrebaria. O criado não me entendeu. Fui pessoalmente à estrebaria, selei o cavalo e montei-o. Ouvi soar à distância uma trompa, perguntei-lhe o que aquilo significava. Ele não sabia de nada enão havia escutado nada. Perto do portão ele me deteve e perguntou: – Para onde cavalga senhor? – Não sei direito – eu disse –, só sei que é para fora daqui, fora daqui. Fora daqui sem parar; só assim posso alcançar meu objetivo. – Conhece então o seu objetivo? – perguntou ele. – Sim –respondi – Eu já disse: “fora-daqui”, é esse o meu objetivo. – O senhor não leva provisões – disse ele. – Não preciso de nenhuma – disse eu. – Aviagem é tão longa que tenho de morrer de fome se não receber nada no caminho. Nenhuma provisão pode me salvar. Por sorte esta viagem é realmente imensa.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Conto Franz Kafka Parte II

Hoje, estou postando o segundo conto do grande Kafka.

Boa leitura e reflexão.

O pião

Um filósofo costumava circular onde brincavam crianças. E se via um menino que tinha um pião já ficava à espreita. Mal o pião começava a rodar, o filósofo o perseguia com a intenção de agarrá-lo. Não o preocupava que as crianças fizessem o maior barulho e tentassem impedi-lo de entrar na brincadeira; se ele pegava o pião enquanto este ainda girava, ficava feliz, mas só por um instante, depois atirava-o ao chão e ia embora. Na verdade, acreditava que o conhecimento de qualquer insignificância, por exemplo, o de um pião que girava, era suficiente ao conhecimento do geral. Por isso não se ocupava dos grandes problemas – era algo que lhe parecia antieconômico. Se a menor de todas as ninharias fosse realmente conhecida, então tudo estava conhecido; sendo assim só se ocupava do pião rodando. E sempre que se realizavam preparativos para fazer o pião girar, ele tinha esperança de que agora ia conseguir; e se o pião girava, a esperança se transformava em certeza enquanto corria até perder o fôlego atrás dele. Mas quando depois retinha na mão o estúpido pedaço de madeira, ele se sentia mal e a gritaria das crianças – que ele até então não havia escutado e agora de repente penetrava nos seus ouvidos – afugentava-o dali e ele cambaleava como um pião lançado com um golpe sem jeito da fieira.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Contos do Franz Kafka.

Começo, a partir de hoje, a publicar contos do grande Franz Kafka. Serão 5 no total.
O primeiro será O Timoneiro. Franz Kafka é um escritor singular, imortal. Suas obras atravessam o tempo e nos encantam. Sua escrita, impecável. Seus personagens são sempre apresentados com algum problema pessoal e até mesmo existencial. Dilemas psicológicos estão sempre presentes nas obras de Kafka. Com grande apego aos mínimos detalhes, ele sempre me encantou pelo tamanho de seus livros ou contos. São sempre pequenos, mas a dimensão de suas obras são enormes.

Não tenho muito o que falar dele. Deixo que os contos digam por si só.


O Timoneiro

“Não sou o timoneiro?” – exclamei. “Você?” – disse um homem alto e escuro e esfregou as mãos nos olhos como se espantasse um sonho. Eu estive ao leme na noite escura, a lanterna ardendo fraca sobre minha cabeça e agora vinha esse homem e queria me pôr de lado. E já que eu não me afastava, ele calcou o pé no meu peito e me empurrou para baixo devagar enquanto eu continuava agarrado aos raios do leme e na queda o tirava completamente do lugar. Mas o homem o pegou, colocou-o em ordem e me empurrou dali com um tranco. Eu porém me recompus logo, corri até a escotilha que dava para o alojamento da tripulação e gritei: “Tripulantes! Camaradas! Venham logo! Um estranho me expulsou do leme!” Eles vieram lentamente, subindo pela escada do navio, figuras possantes que cambaleavam de cansaço. “Não sou o timoneiro?” – perguntei. Eles assentiram com a cabeça, mas seus olhares só se dirigiam ao estranho; ficaram em semicírculo ao redor dele e, quando ele disse em voz de comando: “Não me atrapalhem”, eles se juntaram, acenaram para mim com a cabeça e voltaram a descer pela escada do navio. Que tipo de gente é essa? será que realmente pensam ou só se arrastam sem saber para onde sobre a terra?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Alicia Keys - The Element of Freedom


Vamos falar um pouco de música? E música, nessa década, se resume em um único nome: Alicia Keys.

A diva do R&B americano surgiu em 2001 com o hit Fallin'. Seu álbum intitulado Songs in A Menor abocanhou vários Grammys e muitos outros prêmios. Mostrando não ter vindo pra brincadeira. É notável a influência do soul, jazz e até mesmo o hip hop em seus cds.

Seu talento e trabalho são levados muito a sério. E a palavra talento é a que preenche a alma dessa artista incrível.
Seu segundo álbum, The Diary of Alicia Keys, na minha opinião, é um clássico do R&B.
O cd As I Am é algo indiscutível. Ela poderia lançar somente Like You'll Never See me Again que, ainda assim, compraria o cd. Eu lembro que falava com meus amigos que, depois que ela lançou essa música, não precisava lançar mais nada.

Mas vamos ao lançamento. The Element of Freedom vazou essa semana. Eu, grande admirador do trabalho da Alicia, corri para ouvir logo.
Sempre quando ouço notícias de um novo cd dela, não penso em nada. Ela sempre me supreende, da melhor forma, com um trabalho incrível, com nova direção. Fica difícil imaginar um trabalho de alguém como Keys.

Não é como esperar um cd da Madonna com músicas dançantes, ou um álbum da Britney com uma polêmica atrás. Essas artistas são previsíveis. Não desmereço o trabalho delas. Aliás, o pop dessas cantoras são sempre muito competente. Mas o mundo musical precisava de coisa nova, coisa boa. E isso só Alicia poderia nos presentear.
O álbum soa muito gostoso, como um ar. É leve, fino, bem trabalhado... As batidas meio anos 70 e 80, os vocais retrô... Tudo faz desse álbum um dos melhores do ano.

Espero que o Grammy não banque uma de ridículo e dê as indicações que ela mereça. Depois do papelão com o As I Am, eu espero tudo da academia.

Destaco This Bed, That's How Strong My Love Is, Distance and Time, Love is Blind e Try Sleeping With a Broken Heart.
Que este cd faça muito barulho e tenha o sucesso que merece. Alicia se superou mais uma vez.


Ave, Alicia!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sex & The City


Sempre fui fã dessa série que arrasta multidões ao redor do mundo. O clima real-fantasioso que tem lá sempre me encantou. Com o final da série em 2004, não me senti saciado com aquilo tudo. Sempre sentia falta da série.


Lá tem aquela fantasia de príncipe encantado, roupas de marca e muita balada. Mas, ao mesmo tempo, um príncipe que abandona a mulher no casamento, um filho desejado que não vem e traições. Lágrimas são soltas e corações são partidos, mas, no final, o perdão da traição é aceito, o príncipe que abandona na igreja pede, de joelhos, em casamento e o filho desejado chega.


Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte vivem seus relacionamentos, desentedimentos, alegrias e tristezas na cidade de Nova Iorque.

Tudo é muito bonito, com glamour e um pouco de conto de fadas, mas o quarteto não deixa de viver os dilemas que todos nós, mortais, vivemos. Em cada personagem encontramos um pouco de nós e um personagem que nos identificamos mais.


O clima fashion está presente em toda a série e no filme. O segundo filme está sendo filmado agora, com estreia prevista para maio de 2010.


Sarah Jessica Parker anunciou recentemente que se arrependeu de aceitar muitos compromissos. Mãe de gêmeas ainda pequenas, Sarah disse que as filmagens estão afastando ela das filhas. Tendo como cenário a cidade de Marrocos em determinada parte do filme, a viagem faz a fashion icon sentir muita falta das pequenas.


Estou aguardando ansiosamente a continuação. Quero Patricia Field como stylist, ela é fenomenal. Depois do trabalho que fez em O Diabo Veste Prada, ela não precisa provar mais nada a ninguém.

E não pode faltar a tão bela Nova Iorque em flashes e luzes coloridas. Aquela cidade é o verdadeiro paraíso e a cidade mais linda do mundo, sem dúvida alguma.


E que venham mais dilemas e alegrias na cidade que nunca dorme...

sábado, 28 de novembro de 2009

Rio de Janeiro


No último fim de semana, fiz uma visita à cidade maravilhosa. Que energia, que beleza, que prazer estar lá e poder contemplar aquele paraíso. E não poderia deixar de compartilhar aqui um pouco sobre o que o Rio nos faz sentir.

Encontrei um poema belíssimo do Abian M. Laginestra. Vou postá-lo a seguir:

RIO, porque sou feliz!

Como posso falar de ti cidade paraíso?
Na noite cálida de uma cidade que aparenta não ter desânimos
Descanso minha mente nas pedras do Arpoador,
Contemplo o morro do Vidigal,
De longe ao som do mar,
Parece-me uma jóia de topázios e cristais.
Resplandecendo ao gosto da maresia depositada
Pelas ondas que acariciam você por inteira.
Única em suas formas.
Cidade que de tudo tem,
Somente as coisas chatas é que vós não herdastes.
Talvez porque aqui, num passado distante,
Tenha sido o verdadeiro Olimpio.
Motivo pelo qual, tenha sido criada com tamanho carinho e benevolência.
Em todos os pontos és magnífica.
Têm baía e restinga,
Possui uma linda e grande floresta,
Sobrevivente tenaz entre o seu glamour e entre a sua decadência,
Entre a sua riqueza e a sua pobreza
Foste engendrada para ser um eterno bebê,
Protegida pelas mesmas montanhas que fazem o teu berço.
Como se não bastasse tens um gigante deitado a te guardares.
De todos os pontos ostentas a sua furtiva beleza.
Até mesmo de dentro da Baía insiste em ter tudo,
Principalmente o que causa cobiça a todas as outras grandes como você.
Seja na Avenida Brasil ou seja na Vieira Souto,
sempre há algo para inebriar o espírito.
Num botequim qualquer na zona norte afrouxo minha gravata.e esqueço os credores numa conversa que não tem pretensão de nada.
Num passeio no alto da boa vista pára meu carro,
Apenas para dar um grito no ar um pouco gélido.
No alto do Sumaré espio a vida de cá e de lá.
Na Barra passeio de bicicleta até o recreio.
Numa vã tentativa de captar toda a cidade.
Da pedra da Gávea tenho o mundo aos meus pés.
Em Guaratiba delicio-me com pescados e afins.
Já no domingo, balburdia no Maracanã,
alegria e tristeza entre os gols do campeonato.
Num feriadão, escolher entre a serra, as lagoas ou o mar.
Enfim essa é você.
Aonde e unicamente ternos e calções de banho convivem muito bem em qualquer dia mais quente no fim da tarde.
Rio de Verão, de Janeiro a Janeiro
(Abian M. Laginestra)

Acho que não é muito difícil ter olhos que possam fazer você enxergar a beleza do Rio, basta se permitir a sentir o que aquilo tudo nos desperta. A alma agradece e engrandece.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um conto singular

Léo é um grande amigo e compartilhador de uma boa literatura. Nos conhecemos através do Twitter e, desde então, trocamos várias informações. Ele é experiente na arte da escrita e desenvolve um trabalho sólido e muito rico. Tem um livro muito interessante publicado entitulado de A Nova Posição da Ficção na Pós-Modernidade e a Mídia. O que vale a pena conferir.

Sempre nutri a vontade de publicar algo dele aqui, mas sempre me senti retraido a tocar neste assunto. Hoje tomei a iniciativa e ele aprovou a ideia.

Aqui, deixo pra vocês o conto Singularidade. Como descrevi no título, acho esse conto singular. Creio que para o próprio autor também. O link para o site do Léo é este: http://www.napontadoslapis.com.br/
Salvem em seus favoritos e sejam um visitante diário, como eu.



Singularidade


Américo descobriu que o tempo é infinito. Andava pelo templo de sua vila quando finalmente compreendeu: o tempo é infinito, para trás e para frente. E se assim o é, ele era um mero refém do mundo. Não podia fazer algo de novo, tudo já tinha acontecido. Sim. Tudo já tinha acontecido. Num tempo infinito para trás e para frente todo e qualquer acontecimento, em algum período da história, já se realizara. Não podia inovar, não tinha escolha. A ele restava sentar e esperar que o mundo passasse.

Voltou para casa e se acomodou em uma cadeira próxima à janela. Se fora condenado a ser um mero espectador da infinitude do mundo, pelo menos queria se reservar o direito de o fazer confortavelmente. Com olhos atentos, observava as pessoas da vila e as pequenas casas de madeira. Triste era a finalidade do homem, escravo do tempo, arrancado de toda a sua singularidade para viver a reencenação de um momento passado e indeterminável.

Américo descobrira o segredo, estava decidido a nada mais fazer. De nada adiantava se esforçar para tomar suas escolhas se elas um dia já tinham sido tomadas... sabe-se lá quando e sabe-se lá quantas vezes.

Nos dois primeiros dias, ficou parado, imóvel em sua cadeira, observando as coisas passarem a sua frente. No terceiro, viu os homens da vila saírem para caçar; uma forte chuva começou a cair. Ele permaneceu impassível, era um mero espectador. Um estrondo lhe chamou a atenção. No fundo da vila, uma das pequenas casas de madeira fora atingida por um raio, pegava fogo; nem a chuva forte era capaz de apagar as chamas.

Uma mulher saiu da casa aos gritos, chorava. Ele continuava a observar. A mulher se ajoelhou em frente à casa em chamas, berrava em desespero: sua filha pequena ficara presa lá dentro. Ele vacilou, será que devia se mexer? Será que deveria agir? Se o fizesse trairia sua mais recente descoberta. Se agisse estaria, mais uma vez, a repetir algo que já acontecera. Ele queria se livrar do mundo, desfrutar de uma liberdade real, e para isso não podia se importar com o que acontecia bem a sua frente. Todas as coisas para ele precisavam ser descartáveis e descartadas. Por outro lado, não agir também seria reencenar. E o pior, exerceria o papel de vilão. A escolha era difícil: era por isso que preferia as comédias.

Ele se levantou, saltou pela janela e correu até a casa. Este ato era ele quem definia, por mais que se tratasse de uma peça já tantas vezes reproduzida. Ele preferia ser o herói. Entrou na casa, enfrentou as chamas e salvou a criança. A mãe ainda chorava quando teve novamente sua filha em seus braços. Muito emocionada, ela o beijou: eles se apaixonaram.

Alguns dias depois, Américo se casou. Estava feliz, imortalmente feliz. No final da cerimônia, ainda deixou escapar um sorriso irônico e satisfeito. Sua felicidade naquele momento era apenas sua, era verdadeiramente singular, não podia ser repetida, nem reencenada, por mais infinito que o tempo fosse.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

2012


Não consegui evitar. Acabei de sair do cinema após ver o tão comentado filme 2012. Não costumo fazer resenha de filmes, mas vou escrever aqui a minha opinião.


Não é um grande filme, com grande história e nem grandes atuações. Não temos Meryl Streep no elenco e nem um Clint Eastwood na direção. É uma aventura, sabe? Daquelas de tirar o fôlego. As jogadas de imagem são perfeitas. Haviam momentos que me sentia dentro dos aviões, barcas, seja lá qual fosse o meio de fuga dos personagens. Nesse longa temos comédia, drama e aventura. Um prato cheio pra quem curte filmes como O Dia Depois de Amanhã e Independence Day.


Cheguei a me pegar, em um momento, sem respirar, de tanta adrenalina. É muita ação e, a possibilidade disso ser real, me prendia cada vez mais.


O filme narra, nada mais, do que a teoria dos Maias de que o mundo acabará em 2012. Algumas pessoas falam que essa data não significa o fim do mundo, mas o final do calendário do povo.

Independente disso, temos ai um grande filme para assistirmos num fim de semana ou feriado. Com os amigos, família, amor...


Bom filme a todos!


domingo, 15 de novembro de 2009

Nova biografia de Clarice será lançada este mês.


Recentemente, li na coluna Verso & Prosa do jornal O Globo que Benjamin Moser estava lançando uma biografia da grande Clarice Lispector. Fã nato de Clarice, não pude deixar de ler o artigo com atenção. A biografia foi lançada com grande sucesso nos Estados Unidos e tem data prevista de lançamento no Brasil para o dia 26 deste mês.

Vou adquirir meu exemplar, é claro, com a certeza de que terei muita informação sobre ela. Já que foram 5 anos de pesquisa de Moser.

Fiquei muito feliz ao ver que o livro estava agradando a todos fora do país. Isso divulga mais a Lispector. Ela merece todo reconhecimento que uma autora a sua altura deve ter.

O livro se chama Why This World: A Biography of Clarice Lispector.
Vamos aguardar o meu chegar e, em breve, posto uma resenha aqui. Por agora, ficaremos com esse trecho do livro:
"Não havia característica que Clarice Lispetor mais quisesse perder do que o local de nascimento. Por essa razão, a despeito da língua que a prendia lá, a despeito da honestidade por vezes terrível de sua escrita, sua reptuação é de ter sido um tanto mentirosa. Mentiras inocentes, como os poucos anos que tendia a subtrair de sua idade, são vistas como coqueterias de uma bela mulher. No entanto, quase todas as mentiras que contou tinham a ver com as circunstâncias de seu nascimento.
Em seus escritos publicados, Clarice estava mais preocupada com o sentido metafísico do seu nascimento do que com as reais circunstâncias topográficas dele. Ainda assim, essas circunstâncias a perseguiam. Em entrevistas, ela insistia que não sabia nada sobre o lugar de onde vinha. Nos anos 60, deu uma entrevista ao escritor Renard Perez, a mais longa que jamais concedeu; o amável e cortês Perez certamente a deixou à vontade. Antes de publicar a matéria, ele a submeteu à aprovação de Clarice. A única objeção que ela fez foi à primeira frase: "Quando, logo após a Revolução, os Lispector decidiram emigrar da Rússia para a América...". "Não foi logo após! Foi muitos, muitos anos depois!", protestou. Perez acatou, e a matéria publicada começava assim: "Quando os Lispector resolveram emigrar da Rússia para a América (isso muitos anos depois da Revolução)...".
E ela mentia sobre a idade que tinha quando veio para o Brasil. Numa passagem já citada aqui, ela usa o itálico para enfatizar que tinha apenas dois meses de idade quando sua família desembarcou. Tinhja mais de um ano, porém, como ela bem sabia. É uma pequena diferença - era muito nova, de todo modo, para se lembrar que qualquer outra pátria -, mas é estranha a sua insistência em rebaixar a idade até o mínimo verossímil. Por que se dar ao trabalho?
Não havia nada que Clarice Lispector desejasse mais do que reescrever a história do seu nascimento. Em anotações pessoais redigidas quando estava na casa dos trinta e morando fora do país, ela escreveu: "Eu estou voltando para o lugar de onde vim. O ideal seria ir até a cidadezinha na Rússia e nascer sob outras circunstâncias". O pensamento lhe ocorreu quando estava quase caindo no sono. Sonhara que tinha sido banida da Rússia num julgamento público. Um homem diz que "só mulheres femininas eram permitidas na Rússia - e eu não era feminina". Dois gestos a traíram inadvertidamente, explica o juiz: "1o.: eu acendera meu próprio cigarro, mas uma mulher fica esperando com o cigarro até que o homem acenda. 2o.: eu mesma tinha aproximado a cadeira da mesa, quando deveria esperar que ele fizesse isso para mim".
Então foi proibida de retornar. Em seu segundo romance, talvez pensando no caráter definitivo de sua partida, ela escreveu: "O lugar onde ela nascera - surpreendia-se vagamente de que ele ainda existisse como se também ele pertencesse ao que se perde".
Trecho de "Clarice," de Benjamin Moser (Editora Cosac Naify, tradução de José Geraldo Couto, 648 páginas. R$ 79)

O Constante Diálogo


Poema de Carlos Drummond de Andrade.



Há tantos diálogos

Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado

Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as idéias
o sonho
o passado
o mais que futuro

Escolhe teu diálogo
e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio dialogamos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Finalmente, Caim.

Hoje, pela manhã, finalizei mais um livro. Nunca li algo tão rápido. Realmente uma história lindíssima, mas não falarei dessa obra aqui.
Agora, é a hora de Caim, do Nobel Saramago.

Quem já leu Ensaio Sobre a Cegueira e O Evangelho Segundo Jesus Cristo vai saber do que vou falar.
Primeiramente, o livro me pareceu corrido demais. Parecia uma introdução, na verdade. E a ironia estava exaltada demais.

O romance não prendia. E, no final, quando finalmente ficou interessante, acabou. Eu sou fã número 1 do José Saramago, nunca pensei vir fazer uma crítica a um dos seus livros. Até porque, não tenho nem moral pra isso. Mas estou só fazendo uma comparação com as obras perfeitas que foram escritas anteriormente.

Ele se bate de frente com deus - escrito em minúsculo em toda a obra -, como alguém revoltado. Parece um adolescente colocando sentimento pra fora. E o tom de deboche ficou um pouco over, digamos.

Não poderia deixar de exaltar a escrita do Saramago. Ele é impecável, perfeito, rico, minuncioso... Poucos escritores me encantam tanto com a escrita como ele. Ah, Gabriel Gárcia Márquez é divino também.

Bom, continuo recomendando Ensaio Sobre a Cegueira. Caim não pode ser considerado uma grande obra do meu gajo. Se deseja conhecer Saramago, o conheça por outras obras.

Vou ficando por aqui. Em breve, vou postar mais resenhas e poemas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A ansiedade que Caim está me causando


Bom, esta semana resolvi reservar um tempo para voltar a escrever no meu blog.
E nada melhor do que um novo começo falando do meu grande ídolo Saramago. Entrei no site de uma loja e fiz minha reserva do seu novo romance.
Uma nova obra que trará muita polêmica, como o evangelho segundo Jesus Cristo causou. Caim, o título do novo livro, conta a história de um deus, escrito em minúsculo em toda a obra, que não parece ser tão bom quanto demonstra na bíblia. Ainda mostra um Caim se julgando melhor que deus.

Meu exemplar não chegou, até porque ainda não foi lançado, mas a ansiedade é enorme para ler esta obra.
Essa semana eu li uma resenha que o caderno Verso & Prosa publicou via Twitter. Isso aguçou mais a minha imaginação.

Vamos aguardar a entrega do livro. Enquanto isso, acabo de ler o clássico Hamlet, que em breve posto um comentário aqui.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Salve, salve!


Quem não conhece Maria Bethânia? Acho que todos, né? Mas quem conhece o trabalho dela e tem acesso a todo material dessa artista que não temos como descrever?

Estava conversando com amigos sobre ela outro dia, e todos sabiam quem era ela, mas ninguém sabia uma música. Como assim? Conhece essa artista maravilhosa e não cohece o trabalho espetacular dela?

Bethânia no palco é fulminante, sem dúvidas! Bela voz e intérprete que dá show mesclando poesia e músicas - que não deixam de ser poesias.

Quando comprei meu dvd Maricotinha, tive certeza absoluta do que era Bethânia: A melhor!
Ninguém domina um palco como ela. Amor de índio me emociona profundamente. Sempre que ouço esta interpretação, me recosto no sofá e sinto, sorrindo, essa música. E reparo que ela sente o mesmo que eu.

Não sei falar sobre Bethânia, não existe palavras pra descrever essa artista. Ela me arranca lágrimas em suas interpretações. Salve, Bethânia! Salve nossa diva!

Pra quem curte uma boa leitura...

Hoje, resolvi indicar dois livros. Serão comentários simples, mas de grandes obras que valem a pena serem conferidas.




A menina que roubava livros: grande livro de 2008. Markus nos conquistou com este livro. Considerado pela maioria dos críticos o livro do ano, não tiro esse título. Muito bem escrito, história perfeita, personagens bem descritos... vários são os elogios a este excelente livro. Impossível não se apaixonar por Lisa e Rudy. Viver com eles me fez viajar até a Segunda Guerra e ver, mais de perto, tudo que aquelas pessoas passavam. Principalmente os judeus. Comovente.

Memória de minhas putas tristes: Nobel em literatura, Gabriel García Márquez nos envolve nessa história maravilhosa. E, principalmente, nos mostra que nunca é tarde para se apaixonar. Narrado em uma cidade imaginária, um jornalista de 90 anos quer comemorar seu aniversário com uma ninfeta. Nunca tinha amado na vida. Aos noventa anos, finalmente, conhece o amor. Impecável!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O grande mestre.


Quando o curso de jornalismo apareceu na minha vida, eu não sabia que o melhor ainda estava por vir.

Não pretendia fazer este curso, mas, depois, vi que realmente tinha vocação para esta área. No início do curso, entra um professor na sala, sorri para a turma e diz:

- Boa noite, sou Milton Coelho da Graça, professor de vocês.

Humildade e simplicidade que escondia um dos grandes mestres do jornalismo brasileiro. Um professor brincalhão, mas que, no decorrer do curso, nos fez ver o quanto nós éramos pequenos perto do tamanho conhecimento dele. Me encantei pela sabedoria dele e por ele.

Sinceramente, ele me fez amar ser jornalista, e ver que podia chegar bem longe, mesmo estando nessa profissão tão difícil. Ele nos falava de vários empregos dele, mas, quando disse que já foi editor-chefe do jornal O Globo, a turma ficou chocada. Como teriamos aula com um antigo editor-chefe de uns dos maiores jornais do país?? Sim, era real, e ele nos passou o máximo de conhecimento que pode.

Não vou negar que já se passaram quase dois anos e as suas aulas não saem da lembrança. Tenho esperança de um dia reencontrá-lo um dia... pra uma aula, em um emprego, tanto faz.
Só que é com pessoas assim que todos nós, jornalistas e pessoas que querem ser um profissional de excelência, deveria ter contato.

Aqui, deixo minhas memórias de uma das melhores aulas que tive da minha vida, e um abraço ao grande mestre.

Um dia, quando crescer, quero ser como você...

Crédito de imagem: Google.

Ao poeta Ferreira Gullar.


Hoje, gostaria de fazer uma homenagem a Ferreira Gullar. Há uns anos atrás, fui a uma palestra dele e, até então, me encantei pelo poeta.

Abaixo, um poema dele que acho belíssimo de um livro autografado que tenho. O livro é Barulhos, e tem poesias belíssimas.

Aprendizado

Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporiza
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta.

Observação: quis manter os espaços do poema original que tenho no meu livro, mas o blog não aceitou assim.

Crédito de imagem: Google.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Uma história sensata ou polêmica?


Primeiro de tudo, não estou contestando nada e nem criando polêmica.

Desde os primórdios da existência humana, nós fomos criados com a ideia de que Jesus Cristo foi um homem puro, que viveu fazendo o bem e pregou o amor. Até ai, ninguém duvida de nada. Mas o que mais me aflinge é o fato de nunca ninguém enfatizar que Jesus era um ser humano como nós.

O catolicismo que, como todos nós sabemos, matou muito mais do que Hitler na segunda guerra ,"em nome de Deus", pregou esta ideia, em sua maioria cultural, e esta foi mantida durante séculos.

Só que, um dia, o homem contestaria isso tudo. Não da existência de Cristo, e nem de seus milagres, bondade, amor... mas dele ter tido uma vida normal, como a nossa. E, por que não, Jesus não se apaixonaria?

Sou leitor permanente do blog do Saramago e, recentemente, ele postou um texto que seria um capítulo a mais para o evangelho que ele escreveu. É impactante ver isso. Nos não somos criados e nem ensinados imaginando Jesus Cristo tendo uma noite de amor com Maria Madalena, certo? Mas quem garante que isso não aconteceu? E que ele tenha vivido uma história de amor lindíssima?

Hoje, fiquei a imaginar o quão lindo que deveria ser este amor. O amor de Jesus sempre foi grande por nós, ele morreu por nós, mas a história de amor dele, se é que existiu, deve ter sido belíssima.

Ao buscar uma ilustração para este texto, me deparei com uma obra do artista Jarrier Alves que gerou grande polêmica. Ela mostra Jesus e Maria Madalena de uma forma meio exposta, eu diria. Mas o trabalho da artista é belíssimo

Isso não interfere nada na imagem de Jesus, na minha opinião. O amor que ele pregou que é o mais importantes. Temos que não só ter noção e conhecimento deste sentimento como, também, colocá-lo em prática no nosso cotidiano.
Crédito de imagem: Google.

O amor de Drummond

Resolvi hoje, pela manhã, postar esse poema de Drummond sobre amor. Achei linda a descrição dele e, de uma forma tão sublime e verdadeira, ele nos descreve o que é o amor.

Observação: em breve, vou postar mais textos meus. Estou pensando e refletindo sobre alguns temas pra postar.





As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é estado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais de mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Por que amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte é vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Crédito de imagem: Google.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Odeio-te


Achei que era o fim, quando te deixei no passado.
Tentei te esquecer, arrumei outros amores, mas você continua aqui.
O que você fez, hein? Não vou sossegar enquanto não me responder.
Um simples vento que bate em meu rosto me lembra você; um simples "pensar no nada" me traz você.
Maldita foi a hora que te conheci, você fez meu coração nunca mais ser o mesmo.
Sinto sua falta, e lembro de você todos os dias.
Odeio-me por isso.
Odeio-me por te amar a cada dia e por não te ter, e por não entender que não podemos ficar juntos.
Odeio-te pelos momentos que passei com você, e tenho certeza de que não passarei com mais ninguém.
Odeio-te pelo sentimento que você despertou em mim, e pela felicidade que causa quando estou com você
Odeio-te por me fazer viciado na sua presença e no seu carinho.
Odeio-me por ter perdido você.
Observação: Este texto é de minha autoria.
Crédito de imagem: Google.

Quando realmente morremos?



Hoje, levantei com um pensamento estranho... Há uns 6 meses atrás, perdi um tio. Até então, nunca tinha morrido ninguém na minha vida. Eu sempre fico me perguntando aonde está aquela pessoa? E o jeito dela? Os pensamentos dela? O sofrimento? Várias são as dúvidas! Mas não quero questionar a morte. Se entendesse dela, arranjaria um jeito de matá-la. Estou aqui pra questionar: quando nós realmente morremos?

Com essa pergunta, me peguei pensando nos imortais. Elvis e Michael são imortais, porque serão pra sempre lembrado, certo? E eu? Será que morremos quando ninguém mais lembra da gente?Será que morremos quando somos velados; ou morremos quando todas as pessoas que nos conheceram morreram também? Morremos quando ficamos inertes no mundo; morremos quando deixamos de amar?

Acho a morte intrigante até nisso. Não sei se nasci pra ser mortal ou imortal, mas isso sempre me deixou com uma curiosidade imensa, deixou.
Deixo aberta a pergunta: quando realmente morremos?
Crédito de imagem: Google.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Seria Saramago uma cegueira?


Há um tempo atrás, estava a ver um canal e passou uma reportagem sobre um filme entitulado de: Ensaio Sobre a Cegueira. Aquela história me despertou uma curiosidade e tive vontade de ir ver o filme. Ao sair do cinema, me senti impactado. Aspectos culturais foram expostos de forma tão fortes que, certas coisas, me deixaram nervoso. Me aprofundei mais no filme e descobri que ele era sobre um livro do ganhador do Nobel José Saramago.

Imediatamente fui até a livraria e comprei um exemplar do livro. Desde o momento que comecei a ler, tive vontade de devorá-lo. A escrita de Saramago me fez um pouco confuso no início, mas, apos me acostumar, devorei o livro.

A capacidade de misturar literatura e realidade naquele livro me deslumbrou. Passei a admirar mais e mais Saramago, até então, desconhecido por mim. Seus livros são inteligentes, e a sua escrita me encantou. Faz parte do estilo dele escrever assim. A ortografia pede para ter pausas, não pede? Que diferença faz ela ser feita por vírgulas? Quem sabe pausar um texto em uma virgula, entenderá perfeitamente o período formado. Emprestei o livro para algumas pessoas e elas odiaram. Disseram não conseguir ler um livro que pode passar um capítulo inteiro sem pontos finais. Aquilo me assustou. Pensei nisso como uma cegueira. As pessoas precisam se adptar a escritas diferentes, vocabulários diferentes, coisas diferentes para se enriquecerem. Se lermos sempre os mesmo livros, não vamos sair daquilo dalí.

Quando fui pegar o livro de volta, me questionei: Será que sou doido de gostar e entender perfeitamente ele? Ou as pessoas que estão loucas e paralisadas por costumes até mesmo em livros? Será que uma pessoa que esteja aberta para a leitura, pode ter a mente bloqueada a ponto de não se enriquecer com uma leitura tão boa quanto a do Saramago? A resposta foi sim. Mas leitura e algo complexo, temos que nos identificar com o que estamos lendo.

Aliás, o grande objeto é praticar a leitura...
Crédito de imagem: Google.

Onde tudo começou...


Acho bem interessante começar as postagens com um trecho do poema que deu origem ao título do blog.


Tempo ao sol
Carlos Drummond de Andrade

[...]
Sentados à soleira, estátuas simples,
de chinelos e barba por fazer,
a alva cabeça movem lentamente
se passa um deconhecido. Que não pare
a conversar coisas do tempo. tempo
é uma cadeira ao sol, e nada mais.
Crédito de imagem: Google.