sábado, 28 de novembro de 2009

Rio de Janeiro


No último fim de semana, fiz uma visita à cidade maravilhosa. Que energia, que beleza, que prazer estar lá e poder contemplar aquele paraíso. E não poderia deixar de compartilhar aqui um pouco sobre o que o Rio nos faz sentir.

Encontrei um poema belíssimo do Abian M. Laginestra. Vou postá-lo a seguir:

RIO, porque sou feliz!

Como posso falar de ti cidade paraíso?
Na noite cálida de uma cidade que aparenta não ter desânimos
Descanso minha mente nas pedras do Arpoador,
Contemplo o morro do Vidigal,
De longe ao som do mar,
Parece-me uma jóia de topázios e cristais.
Resplandecendo ao gosto da maresia depositada
Pelas ondas que acariciam você por inteira.
Única em suas formas.
Cidade que de tudo tem,
Somente as coisas chatas é que vós não herdastes.
Talvez porque aqui, num passado distante,
Tenha sido o verdadeiro Olimpio.
Motivo pelo qual, tenha sido criada com tamanho carinho e benevolência.
Em todos os pontos és magnífica.
Têm baía e restinga,
Possui uma linda e grande floresta,
Sobrevivente tenaz entre o seu glamour e entre a sua decadência,
Entre a sua riqueza e a sua pobreza
Foste engendrada para ser um eterno bebê,
Protegida pelas mesmas montanhas que fazem o teu berço.
Como se não bastasse tens um gigante deitado a te guardares.
De todos os pontos ostentas a sua furtiva beleza.
Até mesmo de dentro da Baía insiste em ter tudo,
Principalmente o que causa cobiça a todas as outras grandes como você.
Seja na Avenida Brasil ou seja na Vieira Souto,
sempre há algo para inebriar o espírito.
Num botequim qualquer na zona norte afrouxo minha gravata.e esqueço os credores numa conversa que não tem pretensão de nada.
Num passeio no alto da boa vista pára meu carro,
Apenas para dar um grito no ar um pouco gélido.
No alto do Sumaré espio a vida de cá e de lá.
Na Barra passeio de bicicleta até o recreio.
Numa vã tentativa de captar toda a cidade.
Da pedra da Gávea tenho o mundo aos meus pés.
Em Guaratiba delicio-me com pescados e afins.
Já no domingo, balburdia no Maracanã,
alegria e tristeza entre os gols do campeonato.
Num feriadão, escolher entre a serra, as lagoas ou o mar.
Enfim essa é você.
Aonde e unicamente ternos e calções de banho convivem muito bem em qualquer dia mais quente no fim da tarde.
Rio de Verão, de Janeiro a Janeiro
(Abian M. Laginestra)

Acho que não é muito difícil ter olhos que possam fazer você enxergar a beleza do Rio, basta se permitir a sentir o que aquilo tudo nos desperta. A alma agradece e engrandece.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um conto singular

Léo é um grande amigo e compartilhador de uma boa literatura. Nos conhecemos através do Twitter e, desde então, trocamos várias informações. Ele é experiente na arte da escrita e desenvolve um trabalho sólido e muito rico. Tem um livro muito interessante publicado entitulado de A Nova Posição da Ficção na Pós-Modernidade e a Mídia. O que vale a pena conferir.

Sempre nutri a vontade de publicar algo dele aqui, mas sempre me senti retraido a tocar neste assunto. Hoje tomei a iniciativa e ele aprovou a ideia.

Aqui, deixo pra vocês o conto Singularidade. Como descrevi no título, acho esse conto singular. Creio que para o próprio autor também. O link para o site do Léo é este: http://www.napontadoslapis.com.br/
Salvem em seus favoritos e sejam um visitante diário, como eu.



Singularidade


Américo descobriu que o tempo é infinito. Andava pelo templo de sua vila quando finalmente compreendeu: o tempo é infinito, para trás e para frente. E se assim o é, ele era um mero refém do mundo. Não podia fazer algo de novo, tudo já tinha acontecido. Sim. Tudo já tinha acontecido. Num tempo infinito para trás e para frente todo e qualquer acontecimento, em algum período da história, já se realizara. Não podia inovar, não tinha escolha. A ele restava sentar e esperar que o mundo passasse.

Voltou para casa e se acomodou em uma cadeira próxima à janela. Se fora condenado a ser um mero espectador da infinitude do mundo, pelo menos queria se reservar o direito de o fazer confortavelmente. Com olhos atentos, observava as pessoas da vila e as pequenas casas de madeira. Triste era a finalidade do homem, escravo do tempo, arrancado de toda a sua singularidade para viver a reencenação de um momento passado e indeterminável.

Américo descobrira o segredo, estava decidido a nada mais fazer. De nada adiantava se esforçar para tomar suas escolhas se elas um dia já tinham sido tomadas... sabe-se lá quando e sabe-se lá quantas vezes.

Nos dois primeiros dias, ficou parado, imóvel em sua cadeira, observando as coisas passarem a sua frente. No terceiro, viu os homens da vila saírem para caçar; uma forte chuva começou a cair. Ele permaneceu impassível, era um mero espectador. Um estrondo lhe chamou a atenção. No fundo da vila, uma das pequenas casas de madeira fora atingida por um raio, pegava fogo; nem a chuva forte era capaz de apagar as chamas.

Uma mulher saiu da casa aos gritos, chorava. Ele continuava a observar. A mulher se ajoelhou em frente à casa em chamas, berrava em desespero: sua filha pequena ficara presa lá dentro. Ele vacilou, será que devia se mexer? Será que deveria agir? Se o fizesse trairia sua mais recente descoberta. Se agisse estaria, mais uma vez, a repetir algo que já acontecera. Ele queria se livrar do mundo, desfrutar de uma liberdade real, e para isso não podia se importar com o que acontecia bem a sua frente. Todas as coisas para ele precisavam ser descartáveis e descartadas. Por outro lado, não agir também seria reencenar. E o pior, exerceria o papel de vilão. A escolha era difícil: era por isso que preferia as comédias.

Ele se levantou, saltou pela janela e correu até a casa. Este ato era ele quem definia, por mais que se tratasse de uma peça já tantas vezes reproduzida. Ele preferia ser o herói. Entrou na casa, enfrentou as chamas e salvou a criança. A mãe ainda chorava quando teve novamente sua filha em seus braços. Muito emocionada, ela o beijou: eles se apaixonaram.

Alguns dias depois, Américo se casou. Estava feliz, imortalmente feliz. No final da cerimônia, ainda deixou escapar um sorriso irônico e satisfeito. Sua felicidade naquele momento era apenas sua, era verdadeiramente singular, não podia ser repetida, nem reencenada, por mais infinito que o tempo fosse.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

2012


Não consegui evitar. Acabei de sair do cinema após ver o tão comentado filme 2012. Não costumo fazer resenha de filmes, mas vou escrever aqui a minha opinião.


Não é um grande filme, com grande história e nem grandes atuações. Não temos Meryl Streep no elenco e nem um Clint Eastwood na direção. É uma aventura, sabe? Daquelas de tirar o fôlego. As jogadas de imagem são perfeitas. Haviam momentos que me sentia dentro dos aviões, barcas, seja lá qual fosse o meio de fuga dos personagens. Nesse longa temos comédia, drama e aventura. Um prato cheio pra quem curte filmes como O Dia Depois de Amanhã e Independence Day.


Cheguei a me pegar, em um momento, sem respirar, de tanta adrenalina. É muita ação e, a possibilidade disso ser real, me prendia cada vez mais.


O filme narra, nada mais, do que a teoria dos Maias de que o mundo acabará em 2012. Algumas pessoas falam que essa data não significa o fim do mundo, mas o final do calendário do povo.

Independente disso, temos ai um grande filme para assistirmos num fim de semana ou feriado. Com os amigos, família, amor...


Bom filme a todos!


domingo, 15 de novembro de 2009

Nova biografia de Clarice será lançada este mês.


Recentemente, li na coluna Verso & Prosa do jornal O Globo que Benjamin Moser estava lançando uma biografia da grande Clarice Lispector. Fã nato de Clarice, não pude deixar de ler o artigo com atenção. A biografia foi lançada com grande sucesso nos Estados Unidos e tem data prevista de lançamento no Brasil para o dia 26 deste mês.

Vou adquirir meu exemplar, é claro, com a certeza de que terei muita informação sobre ela. Já que foram 5 anos de pesquisa de Moser.

Fiquei muito feliz ao ver que o livro estava agradando a todos fora do país. Isso divulga mais a Lispector. Ela merece todo reconhecimento que uma autora a sua altura deve ter.

O livro se chama Why This World: A Biography of Clarice Lispector.
Vamos aguardar o meu chegar e, em breve, posto uma resenha aqui. Por agora, ficaremos com esse trecho do livro:
"Não havia característica que Clarice Lispetor mais quisesse perder do que o local de nascimento. Por essa razão, a despeito da língua que a prendia lá, a despeito da honestidade por vezes terrível de sua escrita, sua reptuação é de ter sido um tanto mentirosa. Mentiras inocentes, como os poucos anos que tendia a subtrair de sua idade, são vistas como coqueterias de uma bela mulher. No entanto, quase todas as mentiras que contou tinham a ver com as circunstâncias de seu nascimento.
Em seus escritos publicados, Clarice estava mais preocupada com o sentido metafísico do seu nascimento do que com as reais circunstâncias topográficas dele. Ainda assim, essas circunstâncias a perseguiam. Em entrevistas, ela insistia que não sabia nada sobre o lugar de onde vinha. Nos anos 60, deu uma entrevista ao escritor Renard Perez, a mais longa que jamais concedeu; o amável e cortês Perez certamente a deixou à vontade. Antes de publicar a matéria, ele a submeteu à aprovação de Clarice. A única objeção que ela fez foi à primeira frase: "Quando, logo após a Revolução, os Lispector decidiram emigrar da Rússia para a América...". "Não foi logo após! Foi muitos, muitos anos depois!", protestou. Perez acatou, e a matéria publicada começava assim: "Quando os Lispector resolveram emigrar da Rússia para a América (isso muitos anos depois da Revolução)...".
E ela mentia sobre a idade que tinha quando veio para o Brasil. Numa passagem já citada aqui, ela usa o itálico para enfatizar que tinha apenas dois meses de idade quando sua família desembarcou. Tinhja mais de um ano, porém, como ela bem sabia. É uma pequena diferença - era muito nova, de todo modo, para se lembrar que qualquer outra pátria -, mas é estranha a sua insistência em rebaixar a idade até o mínimo verossímil. Por que se dar ao trabalho?
Não havia nada que Clarice Lispector desejasse mais do que reescrever a história do seu nascimento. Em anotações pessoais redigidas quando estava na casa dos trinta e morando fora do país, ela escreveu: "Eu estou voltando para o lugar de onde vim. O ideal seria ir até a cidadezinha na Rússia e nascer sob outras circunstâncias". O pensamento lhe ocorreu quando estava quase caindo no sono. Sonhara que tinha sido banida da Rússia num julgamento público. Um homem diz que "só mulheres femininas eram permitidas na Rússia - e eu não era feminina". Dois gestos a traíram inadvertidamente, explica o juiz: "1o.: eu acendera meu próprio cigarro, mas uma mulher fica esperando com o cigarro até que o homem acenda. 2o.: eu mesma tinha aproximado a cadeira da mesa, quando deveria esperar que ele fizesse isso para mim".
Então foi proibida de retornar. Em seu segundo romance, talvez pensando no caráter definitivo de sua partida, ela escreveu: "O lugar onde ela nascera - surpreendia-se vagamente de que ele ainda existisse como se também ele pertencesse ao que se perde".
Trecho de "Clarice," de Benjamin Moser (Editora Cosac Naify, tradução de José Geraldo Couto, 648 páginas. R$ 79)

O Constante Diálogo


Poema de Carlos Drummond de Andrade.



Há tantos diálogos

Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado

Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as idéias
o sonho
o passado
o mais que futuro

Escolhe teu diálogo
e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio dialogamos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Finalmente, Caim.

Hoje, pela manhã, finalizei mais um livro. Nunca li algo tão rápido. Realmente uma história lindíssima, mas não falarei dessa obra aqui.
Agora, é a hora de Caim, do Nobel Saramago.

Quem já leu Ensaio Sobre a Cegueira e O Evangelho Segundo Jesus Cristo vai saber do que vou falar.
Primeiramente, o livro me pareceu corrido demais. Parecia uma introdução, na verdade. E a ironia estava exaltada demais.

O romance não prendia. E, no final, quando finalmente ficou interessante, acabou. Eu sou fã número 1 do José Saramago, nunca pensei vir fazer uma crítica a um dos seus livros. Até porque, não tenho nem moral pra isso. Mas estou só fazendo uma comparação com as obras perfeitas que foram escritas anteriormente.

Ele se bate de frente com deus - escrito em minúsculo em toda a obra -, como alguém revoltado. Parece um adolescente colocando sentimento pra fora. E o tom de deboche ficou um pouco over, digamos.

Não poderia deixar de exaltar a escrita do Saramago. Ele é impecável, perfeito, rico, minuncioso... Poucos escritores me encantam tanto com a escrita como ele. Ah, Gabriel Gárcia Márquez é divino também.

Bom, continuo recomendando Ensaio Sobre a Cegueira. Caim não pode ser considerado uma grande obra do meu gajo. Se deseja conhecer Saramago, o conheça por outras obras.

Vou ficando por aqui. Em breve, vou postar mais resenhas e poemas.