domingo, 26 de dezembro de 2010

Quando a vida acontece.


Desde de uns meses, venho sentindo uma diferença muito grande na minha vida. Antes, queria tocar o ceu e me sentia mal por ter pouca idade e não conseguir. Achava que nada na minha vida ia acontecer e que não podia fazer nada.
De repente, tudo mudou. Não sei se a maturidade chegou ou se realmente atingi a paz espiritual. Só sei que vivo bem, em paz, tranquilo.

As pessoas passam muito tempo querendo as coisas e eu estou me preparando para as coisas. Quero que, quando a vida colocar as oportunidades na minha frente, eu possa vê-las e escolhê-las do modo que estou hoje. Acho que, assim, consigo ver as coisas melhor, sem afobação, expectativas, sem nada.

Hoje, vivo cada dia. Aproveito cada minuto. Nada aconteceu. Simplesmente, comecei a sentir um frio na barriga. Sabe quando estamos muito apaixonados? E assim que me sinto.
Só que não existe ninguém nesta paixão além da minha propria pessoa e a vida. Vontade de viver. Não passei por nenhum aperto, não precisei sofrer pra enchergar e valorizar a vida, isso veio de dentro de mim.

Resolvi fazer este post não para exibir a minha felicidade, mas para que as pessoas, as vezes o lendo, possam mudar a sua vida de 2011 em diante. Vamos viver. Nossa estadia aqui e curta demais para vermos a vida só do lado dos problemas. Eu não precisei ganhar na loteria para estar bem, não estou namorando ninguém e nada de inacreditável aconteceu.

Acho que a maturidade chegou bem pra mim e consigo ver a vida de uma forma boa.
Pra que passar pela vida levando tudo tão a sério e com tanto drama?

Vamos viver tudo que há pra viver!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Florbela Espanca


Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais este e aquele, o outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar.



Observação: o amor de Florbela não tem final feliz. Ela não sente o gosto deste amor que ela escreveu. Se repararmos, ela nunca se sente feliz por ter sido beijada. Ela simplesmente deseja e imagina.
Acho que o fato de Florbela ter amado e não poder ter vivido este amor, como podemos reparar em seus poemas, me fez me identificar mais. Há quem diz que ela foi apaixonada pelo irmão...


Este não foi o meu caso, mas foi proibido. E a dor? Acho que a mesma...

sábado, 2 de outubro de 2010

Por que escrevo?


Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando.
                


                                Clarice Lispector





Comentário: Só Clarice para conseguir formar, em poucas palavras, o que nós, às vezes, simples escritores, sentimos. É lindo, profundo e de uma dimensão fora do comum. Passei alguns minutos refletindo esta frase e ví que ele dizia o que gostaria de resumir sobre escrever. Não escrevo pra ninguém. Escrevo para mim, por simples desabafo.


Coisas da alma...

Liberdade?


"Viver sem ser amado é como cortar as asas de um pássaro e tirar sua capacidade de voar (...) A dor tem a capacidade de cortar nossas asas e nos impedir de voar."
               William P. Young - A Cabana.

sábado, 28 de agosto de 2010

Enfim, continuo Saramaguiando...


Desde a sua morte, não consegui vir até aqui no meu blog me expressar. Não vou negar que foi um choque! Naquele dia, eu entro nos principais sites, e lá vejo as notícias da morte do grande José Saramago. A ficha não caiu. Como o meu escritor favorito não vai escrever mais?

E agora, quem escreverá para mim?

Essa era a pergunta que não saia da minha cabeça. O que me deixa mais calmo é que escritor não morre. Suas obras, pensamentos e ensinamentos são eternos. E, no mundo vasto do Saramago, temos bastante material para ler e degustar durante um bom tempo.

Ainda tem muito para se descobrir e aprender. A admiração e orgulho só crescem em cima da vida deste grande homem. Aqui, deixo meu pequeno desabafo e homenagem.

Nunca é tarde para homenagear, conhecer, reconhecer e admirar o grande mestre José Saramago.

A vaidade que nos consome.


Toda manhã, quando me levanto para ir trabalhar, passo em frente as bancas de jornais.
Sempre paro e vejo se tem alguma novidade nas revistas. Leio, sempre que posso, as revistas Vogue, Elle, Veja e o jornal O Globo. Mas sinto que o gosto pela moda e vaidade vem aumentando mais. Passei, sem pretensão, e vi uma revista chamada Fashion Life. Voei na revista e comprei na hora. Queria ler, ver as dicas... Tudo! Me sinto cada dia mais preso nesse universo.

Antigamente, por todos não terem acesso, a moda era definida como futilidade. Hoje, as coisas são mais claras e sensatas. Com isso, vimos que todos nós queremos estar com uma aparência clean e fashion. Qual homem não quer passar na rua e ganhar um elogio por estar cheiroso? Qual homem sente orgulho da barriguinha que cresce? Antes, academia, perfumes, cosméticos eram coisas para gays. Agora, não existem homens que não querem se cuidar e se vestir bem.

A realidade é essa: queremos estar sempre bem. É hora de termos tempo para ler, passar um creme, cuidar dos cabelos e, por que não, ler uma revista de moda? Eu me permito ver uma revista com decorações, indicação de lugares badalados e de bom gosto.

Acho que deveríamos pensar nisso tudo. As mulheres de hoje, as mulheres de verdade, querem homens que saibam levá-las para jantar, que saibam conversar assuntos interessantes, que estejam cheirosos e com uma boa aparência. Creio que algumas pessoas que estejam lendo estão pensando: só se estiverem com um amigo gay.
Mas não, esse homens estão começando a ficar mais populares no mercado.

Agora, não venha me dizer que sente orgulho do seu cheiro de macho e da sua barriguinha...

Modernidade.


O mundo está a cada dia caminhando para um futuro moderno, tecnológico, prático, eficaz... Tantas qualidades, não são mesmo? Não acho!
Isso tudo traz um nível de stress e cansaço fora do comum. Falo isso por mim mesmo. Há meses que não tenho cabeça e nem inspiração para escrever. Talvez a falta de tempo para leitura tenha causado isso.
Quando chego em casa, já tomo meu banho e caio na cama, sem nenhum momento para mim. Uma vez, eu disse a uma amiga que a doença psicológica seria a maior epidemia do século XXI. Não tenho dúvidas que as pessoas de hoje em dia, com essa carga de stress horrorosa, venham sofrendo cada vez mais com esse mal.

Não quero abandonar o blog e nem a leitura. Não sei se isso é dom ou simples necessidade, mas me sinto sufocado longe desse mundo. O mundo das letras, dos poemas, dos grandes escritores me encanta.

Quero viver a correria do século XXI sem deixar a cultura e a paz do século XXI. Quero ter tempo para ler, escrever, ouvir uma boa música e tomar um bom vinho.

Não quero nada demais, só viver.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Gente sábia...


Ontem, me encontrei no elevador com uma senhora que trabalha onde eu trabalho. Subimos conversando. Aquela conversa foi algo tão diferente, que tive que descrever aqui desta vez. Como as pessoas mais vividas tem histórias. E o principal: como essas histórias são interessantes.
Ela é uma senhora vaidosa, com um visual sofisticado e não aparenta ter a idade que tem. Ela contou histórias da época de escola, das amigas e de como era vaidosa desde nova. Viajei e imagieni toda aquela história como algo real, sabe? As histórias de mulheres que revolucionaram, que tem algo interessante, sempre me fascinou. Não aquelas que casam e se tornam inferiores, mal vestidas e rancorosas. Mas aquelas que envelhecem se cuidando, que tem histórias, se vestem bem e se amam. Uns dias antes, eu havia assistido o filme "Coco Antes de Chanel", uma obra magnífica. Já me tornei fã da grande Coco Chanel, mas, voltando ao principal, aquela história me fez viajar. Me senti como se estivesse lendo um romance, entende? Daqueles que te prendem até o final.

Aquela situação me intrigou, não so pelo fato de sempre ter gostado de ouvir os mais velhos, mas por ter me feito viajar em algo tão longo em alguns segundos no elevador.

Coisas da vida...

domingo, 18 de abril de 2010

Lembrança de uma fonte, de uma cidade.


Deixo, a seguir, um conto maravilhoso da maravilhosa e singular Clarice Lispector. Não tenho o que comentar. Às vezes, ela me deixa sem palavras.

Na Suíça, em Berna, eu morava na Gerechtigkeitsgasse, isto é, Rua da Justiça. Diante de minha casa, na rua, estava a estátua em cores, segurando a balança. Em torno, reis esmagados pedindo talvez uma exceção. No inverno, o pequeno lago no centro do qual estava a estátua, no inverno a água gelada, às vezes quebradiça de fino gelo. Na primavera gerânios vermelhos. As carolas debruçavam-se na água e, balança equilibrada, na água suas sombras vermelhas ressurgiam. Qual das duas imagens era em verdade o gerânio? Igual distância, perspectiva certa, silêncio da perfeição. E a rua ainda medieval: eu morava na parte antiga da cidade. O que me salvou da monotonia de Berna foi viver na Idade Média, foi esperar que a neve parasse e os gerânios vermelhos de novo se refletissem na água, foi ter um filho que lá nasceu, foi ter escrito um de meus livros menos gostados, A cidade sitiada, no entanto, relendo-o, pessoas passam a gostar dele; minha gratidão a este livro é enorme: o esforço de escrevê-lo me ocupava, salvava-me daquele silêncio aterrador das ruas de Berna, e quando terminei o último capítulo, fui para o hospital dar à luz o menino. Berna é uma cidade livre, por que então eu me sentia tão presa, tão segregada? Eu ia ao cinema todas as tardes, pouco importava o filme. E lembro-me de que às vezes, à saída do cinema, via que já começara a nevar. Naquela hora do crepúsculo, sozinha na cidade medieval, sob flocos ainda fracos de neve – nessa hora eu me sentia pior do que uma mendiga porque nem ao menos eu sabia o que pedir.

domingo, 11 de abril de 2010

Clarice por Drummond.


Neste mundo virtual, principalmente nos blogs, conseguimos encontrar grandes apreciadores de Literatura. Há pouco tempo, conheci o grande Thiago Cavalcante. Apreciador de Clarice, como eu, ele me enviou um trabalho da faculdade que havia um poema de Drummond que mostrava a visão do grande poeta sobre Clarice Lispector.

Não podemos negar o quanto Clarice era misteriosa. E suas obras sempre foram filosóficas e, de um modo muito profundo e particular, nos descrevem. Sim, Clarice tinha um dom único de saber como todos nós nos sentimos sobre a vida, relacionamentos e sobre nós mesmos.
Reflitam sobre o poema e vejam que nem Drummond consegue desvendar os mistérios dessa grande escritora.


Visão de Clarice Lispector

Clarice,
veio de um mistério, partiu para outro

Ficamos sem saber a essência do mistério.
Ou o mistério não era essencial,
Era Clarice viajando nele.

Era Clarice bulindo no fundo mais fundo,
Onde a palavra parece encontrar
Sua razão de ser, e retratar o homem.

O que Clarice disse, o que Clarice
Viveu por nós em forma de história
Em forma de sonho de história
(no meio havia uma barata ou um anjo?)
Não sabemos repetir nem inventar.
São coisas, são jóias particulares de Clarice
Que usamos de empréstimo, ela dona de tudo.

Clarice não foi a lugar-comum,
Carteira de identidade, retrato.
De Chirico a pintou? Pois sim.

O mais puro retrato de Clarice
Só se pode encontrá-lo atrás da nuvem
que o avião cortou, não se percebe.

De Clarice guardamos gestos. Gestos,
Tentativas de Clarice sair de Clarice
Para ser igual a nós todos
Em cortesia, cuidados, providências.
Clarice não saiu, mesmo sorrindo.
Dentro dela
o que havia de salões, escadaria,
tetos fosforescentes, longas estepes,
zimbórios, pontes do Recife em brumas envoltas,
formava um país, o país onde Clarice
viva, só e ardente, construindo fábulas.

Não podíamos reter Clarice em nosso chão
Salpicado de compromissos. Os papéis,
Os cumprimentos falavam em agora,
Edições, possíveis coquetéis
À beira do abismo.

Levitando acima do abismo Clarice riscava
Um sulco rubro e cinza no ar e fascinava.

Fascinava-nos, apenas.
Deixamos para compreedê-la mais tarde.
Mais tarde, um dia... saberemos amar Clarice.


Carlos Drummond de Andrade




Comentário: Acho que o poema diz, por sí só, toda a emoção, talento e tudo que Clarice nos presenteou e nos abrilhantou ao longo da sua obra. Esse dia mais tarde, citado no poema, que seria o dia que amaremos Clarice, para mim, já chegou.

Drummond é fenomenal! Clarice o inexplicável!

domingo, 28 de março de 2010


"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la."


Clarice Lispector

sexta-feira, 19 de março de 2010

Seriam, os best-sellers, bons livros?


Abro esta icógnita que tenho. Já tive a minha fase de livros com grandes marketing. Hoje, após conhecer grandes obras da literatura, penso que elas não acrescentam nada. Para mim, serviu somente para dar um passo na leitura.

A única obra da qual não me arrepende é o grande livro de 2008: a menina que roubava livros, de Markus Zusak. A poesia do livro atravessa o leitor sem parecer piega. Além de ter um grau de linguagem que acrescentam muito.

Do mais, não troco os grandes e bons clássicos. Nada como ler um Saramago, Gabriel Gárcia, uma Clarice, um Kafka... Seriam muitos os grandes autores que considero excelentes e únicos.

Suas obras atravessam gerações e são atemporais. Isso porque os escritores são visionários, e nos presenteiam com textos e uma narrativa de dar gosto.

E você, considera os best-sellers bons livros?

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Sade - Soldier of Love


Dez anos após o lançamento do grandioso Lovers Rock, Sade presenteia seus fãs com seu novo cd. Confesso que fiquei ansioso e com medo das expectativas que criei. Acho que todos os fãs aguardavam muito ansiosos este cd.

Sade não desaponta. A voz e a banda continuam com a mesma qualidade. A sonoridade do single "Soldier of Love" é maravilhosa, bem produzida e com um vocal grandioso. A marcha de um soldado está presente no arranjo, dando um tom muito particular na canção."The Moon and the Sky" abre o cd da melhor forma. Outra canção que me chamou bastante atenção foi "Skin". No mais, Adu nos mostra o que sabe fazer de melhor: música de qualidade.

Valeu a pena esperar este disco. Espero que ela não demore para lançar outro cd. Por agora, este está de bom tamanho. Ainda vou curtir bastante este álbum.

Nós, eternos enamorados, necessitamos de Sade em nossa trilha sonora de noites e mais noites de amor...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Vamos começar amando...


Esse ano será regido por Vênus. Não acredito nisso, mas acabei, ocasionalmente, lendo em alguma página isso. Vênus é a deusa do amor.

Estou amando. E quero começar com um pequeno poema do Drummond sobre amor.



Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais revolsa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.




Comentário: Drummond é sempre muito profundo ao falar de amor. A sensibilidade que ele exibe é fora do comum. Se tivesse que eleger as duas pessoas que mais entendem de amor do mundo, Drummond e Shakespeare ficariam com o pódio. Eles sabem traduzir a delicadeza do toque, do sentimento e do que a alma sente quando estamos nesse estado de êxtase e ilusão.