domingo, 3 de janeiro de 2010

Vamos começar amando...


Esse ano será regido por Vênus. Não acredito nisso, mas acabei, ocasionalmente, lendo em alguma página isso. Vênus é a deusa do amor.

Estou amando. E quero começar com um pequeno poema do Drummond sobre amor.



Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais revolsa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.




Comentário: Drummond é sempre muito profundo ao falar de amor. A sensibilidade que ele exibe é fora do comum. Se tivesse que eleger as duas pessoas que mais entendem de amor do mundo, Drummond e Shakespeare ficariam com o pódio. Eles sabem traduzir a delicadeza do toque, do sentimento e do que a alma sente quando estamos nesse estado de êxtase e ilusão.