domingo, 29 de maio de 2011

E se ando...

"Confesso que ando muito cansado, sabe?
Mas um cansaço diferente .. um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem.
Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer.
Confesso que você estava em todos esses meus planos, mas eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derraonfesso que ando muito cansado, sabe?
Mas um cansaço diferente .. um cansaço de não mando, não me pertecendo.
Estou realmente cansado.
Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade .. quero ser mar calmo.
Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: “calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.”
Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso. Confesso que agora só espero você.
Suas confissões.''
(Caio Fernando Abreu)

Caio Fernando de Abreu.


A partir de hoje, quero deixar fragmentos do Caio aqui. Acho um absurdo ele ainda não ter sido citado no meu blog.
Aqui, vai um trecho dele. Descreve bem o meu momento. Bem o que ando pensando a meu respeito. Eu tenho algo com o Caio que é estranho. Me identifico com ele. Até quando o vejo, em fotos, sinto que a vida pulsa da mesma forma para mim.

Grande Caio! Grande alma que entra na minha perfurando, doendo. O que me resta? Me render as tuas verdades. Me rendo até mesmo as ilusões dele.


“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

Uma curiosidade sobre Clarice.


Quem sou eu para escrever e falar sobre a grande Clarice Lispector?

Sou um mero amante e eterno admirador dessa grande alma, dessa grande mulher, desse grande ser.
Bom, me identificava muito com Clarice. Suas frases em todas as redes sociais, seus pensamentos. Parece Ana Carolina escrevendo música pra quem está sofrendo de amor. Tudo se encaixa perfeitamente.

Comprei alguns bons materias dela, mas não consigo ler. Não que perca o foco. Simplesmente me recuso a ler por sentir que ainda não vivi o suficiente para entender a forma e a profundidade que Clarice queria que eu absorvesse tudo que escreve. Me sinto uma fruta verde. Ainda preciso passar por muita coisa pra entendê-la.

Minha alma é iniciante. Meu coração já sofreu, mas ainda não sabe a dor de um verdadeiro amor. Começo a ler, me interesso pela história e... Nada acontece.
Não falta nada no livro, nem na história, nem em Clarice. Falta algo em mim. Algo que ainda vou passar.

Tenho certeza que um dia pego meus livros e entendo tudo que se passa lá. Quero ter a certeza de um dia ler Clarice e entender. Exijo isso da vida. Quero ser feliz, quero sofrer, quero perder, mas quero, principalmente, ganhar.